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Histórias Loucas de DJs: Carl Cox foi tocar a uma rave para 10 mil pessoas. Acabou a passar um chapéu pelo público.

Em mais uma História Louca de DJs, Carl Cox viajou para uma rave no Canadá que prometia 10 mil pessoas por dia. Acabou a ajudar o público a angariar dinheiro para voltar a ligar o sistema de som.

30 de agosto de 20263 min de leitura
Histórias Loucas de DJs: Carl Cox foi tocar a uma rave para 10 mil pessoas. Acabou a passar um chapéu pelo público.

Em 1996, Carl Cox viajou até ao Canadá para tocar numa grande rave anunciada como Field of Dreams.

O plano parecia gigantesco: dois dias de festa, uma lotação prevista de cerca de 10 mil pessoas por dia e um cartaz internacional com vários DJs britânicos. Para Cox, era também a primeira vez no país.

Mas, antes mesmo de chegar à cabine, começaram os problemas.

Segundo um excerto de entrevista reproduzido posteriormente pela EDM Canada, o DJ tinha exigido que a situação do visto de trabalho estivesse resolvida antes da viagem. Os promotores garantiram-lhe que sim. Quando chegou, percebeu que nada estava realmente organizado.

Não havia ninguém à espera no aeroporto.

Foi-lhe pedido que apanhasse um táxi até ao hotel. Ao chegar, descobriu que os quartos reservados para a equipa tinham sido vendidos. Cox acabou por pagar do próprio bolso uma estadia alternativa, sem saber ainda que essa seria apenas a primeira despesa de uma noite completamente fora de controlo.

Quando finalmente o foram buscar para o evento, por volta da 1h30, a situação era ainda pior.

A organização tinha praticamente desaparecido.

O sistema de som já tinha falhado. Autocarros que transportavam pessoas de Montreal ficaram parados porque não tinham sido pagos. E, em vez da multidão esperada, havia apenas algumas centenas de pessoas concentradas numa zona de um campo de futebol.

Para muitos DJs, teria sido o momento de voltar para o hotel.

Carl Cox decidiu tocar.

A razão, explicou, era simples: aquelas pessoas tinham ido vê-lo. Não queria abandonar o público que ainda estava ali, mesmo depois de tudo o que tinha corrido mal.

Durante algum tempo, conseguiu transformar o desastre numa festa.

Mas a música voltou a parar a meio do set.

A equipa de som recusou-se a continuar a trabalhar sem receber. Foi então que Carl Cox pegou no microfone e fez algo que ninguém espera ver num festival com um cartaz internacional: explicou ao público que o sistema só voltaria a funcionar se conseguissem pagar a equipa técnica.

A solução foi passar um chapéu pela multidão.

Os presentes contribuíram. E Carl Cox também.

O dinheiro reunido permitiu ligar novamente o som e continuar a festa.

A história ainda teve um último episódio digno de filme: quando o sol nasceu, Cox percebeu que tinha passado horas a tocar sem notar que estava coberto de mosquitos. O pescoço e as costas ficaram cheios de picadas.

No fim, a atuação acabou por lhe custar milhares — entre despesas imprevistas e todo o caos à volta do evento.

Mas ficou uma lição que resume bem o espírito de Carl Cox: mesmo quando a produção desaparece, o sistema falha e o festival parece condenado, o DJ não vira costas a quem ficou na pista.

Porque, naquela noite, a rave não foi salva pelos promotores.

Foi salva pelo público — e pelo DJ que se recusou a deixá-lo sem música.

Fonte: relato de Carl Cox reproduzido pela EDM Canada.

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